Financiamento de construção na CAIXA
Financiar a compra de um imóvel pronto e financiar a construção dele são produtos diferentes, com regras diferentes. Este texto é sobre o segundo — o que libera dinheiro por medição, contra obra que já foi feita.
A diferença que muda tudo
Na compra de um imóvel pronto, o banco paga o vendedor à vista, na assinatura, e você passa a dever. Na construção, não existe esse momento. O contrato é assinado, mas o dinheiro sai em parcelas, ao longo da obra, depois de o banco conferir o que já está de pé.
Isso tem uma consequência prática que pega quase todo mundo de surpresa: durante a obra, os juros incidem só sobre o saldo já liberado. É bom para o bolso. Mas também significa que quem paga o pedreiro do mês que ainda não foi medido é você.
As linhas, e as combinações
São cinco linhas de crédito para construir, e quase todas existem em duas formas — com o lote que já é seu, ou com o lote comprado dentro do mesmo contrato. Contando as combinações, dão nove modalidades:
- SBPE — o crédito imobiliário comum, funding da poupança. Sem limite de renda. É a linha que atende quem não se enquadra nas outras.
- Pró-Cotista — funding do FGTS, para quem é cotista. Juros menores que o SBPE, sem limite de renda, com teto de imóvel bem alto. Para renda perto do teto do MCMV, costuma bater a alternativa.
- MCMV Faixa Urbano 1 — renda familiar até R$ 3.200.
- MCMV Faixa Urbano 2 — renda de R$ 3.200,01 a R$ 5.000.
- MCMV Faixa Urbano 3 — renda de R$ 5.000,01 a R$ 9.600, com teto de imóvel de R$ 400 mil.
A única que não tem as duas formas é o Pró-Cotista, que existe só para quem já tem o terreno — daí nove, e não dez.
Nas modalidades de aquisição de terreno e construção, o lote é comprado dentro do contrato e pago na assinatura. Isso muda o fluxo de caixa do mês zero inteiro: o banco desembolsa o terreno de uma vez, e a obra segue no ritmo das medições.
Os números de renda e teto acima são os da Portaria MCID nº 333/2026. Faixa e teto são dado externo e mudam por portaria — confirme na CAIXA antes de fechar qualquer coisa.
Cota: quanto o banco financia
- SBPE e Pró-Cotista — até 80%.
- MCMV com SAC — até 90%.
Se o lote já é seu e está quitado, ele entra por outro caminho: como contrapartida. É o que costuma dispensar a entrada em dinheiro — o terreno faz o papel dela.
Prazo de obra, e o que ele obriga
O prazo de execução vai de 2 a 24 meses, prorrogável em caráter excepcional. E há uma regra do cronograma que passa despercebida: a última etapa tem de valer pelo menos 5% do total.
Essa última etapa é a retenção de 5% — um valor que o banco só libera depois da averbação da construção na matrícula. Ou seja: a obra termina, você se muda, e ainda falta receber uma parcela que depende de cartório.
As duas vistorias, e o mito das treze
Circula muito a ideia de que cada medição custa uma vistoria paga. Não é isso.
Para contratos a partir de 19/07/2021, há duas vistorias presenciais obrigatórias, aos 30% e aos 85% de evolução da obra. As demais medições são feitas por relatório fotográfico dentro do sistema. Uma obra de treze meses não tem treze vistorias presenciais — tem duas.
O ciclo do dinheiro, mês a mês
- Você executa a etapa do mês.
- Envia a medição, com o percentual executado.
- O banco confere — por relatório, ou presencialmente nos dois marcos.
- O crédito cai em torno de cinco dias úteis depois.
Repare no que esse ciclo implica: você sempre está um passo à frente do banco. Paga primeiro, recebe depois. É desse descompasso que nasce o problema de caixa que derruba obra com orçamento correto, e ele tem texto próprio.
Antecipação: existe, e é limitada
Há a possibilidade de antecipar até 20% do valor, limitada ao valor do terreno — e ela é incompatível com o uso do FGTS no mesmo contrato. É uma escolha, não um acúmulo.
O que o banco exige do projeto
Financiamento de construção não dispensa nada do que a obra já exigiria: projeto arquitetônico aprovado na prefeitura, projeto estrutural, ART ou RRT e responsável técnico. E há exigências construtivas — laje ou forro obrigatórios nos cômodos internos, por exemplo.
O cronograma físico-financeiro entregue ao banco é documento contratual, não formalidade. É contra ele que cada medição é conferida.
Antes de ir ao banco
- Saiba a sua renda familiar bruta, que define a faixa e a linha.
- Saiba se o lote já é seu e está quitado — isso decide entre as duas formas de cada linha e pode dispensar a entrada.
- Tenha o custo da obra estimado com método, e não chutado (como se estima).
- Leve o prazo que você consegue cumprir, e não o mais curto possível: prazo apertado é o que faz etapa atrasar e liberação travar.
Chegar sabendo a cota, o prazo e a parcela muda a conversa: em vez de receber uma simulação e torcer, você confere a que recebeu contra a que já tinha feito.
Este texto explica o método. O ObraSim faz a conta. Desenhe a planta ou informe as áreas, escolha a modalidade do financiamento e leia o fluxo de caixa mês a mês — com os números da sua obra, e não os de um exemplo.
Quero fazer o plano da minha obra